Ontem após uma conversa com um amigo
que me contava como encontrou a profissão (tatuador) que ama, fiquei pensando
em muitas coisas e decidi postar aqui.
Você pode não se lembrar, mas eu
tenho isso bem guardado na minha memória de infância: fazer compras no
supermercado quando eu era garoto, era
bem mais fácil! Lembro-me da prateleira de biscoito. Naquela época era bem
fácil escolher um biscoito; chocolate, morango, maisena ou água e sal.
Essa memória me veio a tona quando
fui ao supermercado e fiquei atordoado com tantas opções: dezenas de sabores,
light, com fibra, gutem free, sem açúcar, orgânico, tamanho família, farinha
especial, com pedaços de frutas. É uma infinidade de marcas, tamanhos,
funcionalidades e sabores que nos deixa estáticos um bom tempo na frente da
prateleira tentando decifrar e decidir qual levar para casa.
Tudo está assim, inclusive a escolha
da sua carreira profissional. Pergunte para seus avós e provavelmente eles vão
dizer: “Na minha época você tinha as seguintes opções: advogado, médico,
engenheiro, militar ou padre. Ah, e claro, concurso para o Banco do Brasil. Eu
decidi ser engenheiro e trabalhei 30 anos (anos, não meses) na mesma empresa.”
Esse cenário mudou.
Um desses caras da Google, diz que 60% das profissões existentes nos
próximos 10 anos ainda não foram inventadas. Sabe o que vem pela frente? engenheiro de impressora 3D, arquitetos de
realidade aumentada, gestores de lixo eletrônico, agricultores urbanos,
especialistas em educação social.
Considere também as várias profissões que
deixarão de existir.
Você pode até achar isso exagerado ou
duvidoso mas o fato é que assim como você fica parado na frente da prateleira
do supermercado para escolher um biscoito, isso também ocorre com a sua
carreira profissional. A quantidade de possibilidades e escolhas literalmente
nos paralisa! Mas ter escolhas não é bom? É ótimo! É um dos privilégios de
viver no século XXI. Imagine que na Idade Média seu destino era definido pelo
nascimento. Até a nobreza tinha suas limitações: o primogênito tinha que cuidar
do reino e o caçula virava padre.
OK, todas essas
possibilidades são maravilhosas mas você continua parado na frente da gôndola
em dúvida se pega o Trakinas light ou a edição especial chocolate suíço. Por
que? Essa infinidade de escolhas gera consequências importantes na nossa vida
cotidiana que poucos tem consciência.
Os efeitos do
excesso de escolhas que temos hoje gera conseqüências:, e a insatisfação com a
escolha. Acabamos menos satisfeitos com o resultado da escolha do que
ficaríamos se tivéssemos menos opções. Imaginamos que poderíamos ter feito uma
escolha melhor, por isso lamentamos a decisão tomada e, assim, nos sentimos
infelizes. O fato de ter escolhido o biscoito de morango com pedaços de
fruta e ter deixado na prateleira outras 200 possibilidades nos deixa ansiosos
e infelizes: “Mas será que a edição limitada de frutas do inverno Alpino não
seria mais gostosa?”.
Isso acontece o tempo inteiro e
também com nossas carreiras: mudo de emprego ou continuo aqui? Será que começo
uma nova faculdade e mudo de carreira? Está na hora de empreender? Devo ir para
uma empresa pequena para ter mais autonomia? Faço um mochilão pelo mundo para
abrir novas possibilidade ou continuo nesse emprego juntando grana para comprar
um apartamento?
1- Limitar nossas opções
Isso pode ser fácil para a compra de
um biscoito: “Vou na marca mais barata, afinal é tudo farinha ou no tipo light
pois estou de dieta”, mas para definir o rumo de sua vida isso é um pouco mais
difícil, mas bem mais divertido também, acredite. Para entendermos quais opções
queremos considerar em nossas vidas precisamos nos conhecer, o mais fundo que
conseguirmos, um processo sem fim porem muito prazeroso. Enquanto você ficar
exposto aos desejos externos e ouvidos tapados para a voz interior, você fará
as escolhas que os outros querem que você faça e você vai acabar vivendo a vida
que os outros querem que você viva. E esses outros são muitos! Da sua família
até o novela da Globo que vai ditar o que você compra ou como se comporta.
Uma vez li a seguinte frase: “a forma
de arrependimento mais emocionalmente corrosiva ocorre quando deixamos de agir
em relação a algo que é profundamente importante para nós.” Você sabe o que é
importante para você? Teste rápido para saber o quanto você se conhece: Você
sabe nomear o seu primeiro valor? Se um amigo te ligar porque pensou em você
para resolver um grande desafio, que desafio seria esse? Como você se visualiza
daqui a vinte anos em termos de conhecimento, reconhecimento e bens materiais?
Que atividade te faz sentir que o tempo passou rápido?
Essas perguntas exigem que dediquemos
um tempo de qualidade para respondê-las. Saber as respostas te ajudarão a ter mais
controle da sua vida, saber os elementos que a tornam gratificante e limitar
sua opções.
É natural que ao
fazer isso, várias opções surjam. Acredito que o segredo é escolher e focar em uma delas. Isso não significa que
você vai ter que fazer isso pelo resto da vida, sempre é possível mudar e
recomeçar. Mas se você tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo, acabará não
fazendo nenhuma delas direito.
2- Controlar nossas expectativas
Temos que controlar nossas
expectativas. Assim podemos evitar boa parte da angústia e da perda de tempo
que surge com o número excessivo de escolhas.
Aqui fica evidente a importância do
auto-conhecimento, mas para te convencer disso, quero que você conheça o que os
psicólogos chamam de “cadeia hedonista”: à medida que enriquecemos e acumulamos
mais posses materiais, nossas expectativas aumentam, por isso trabalhamos ainda
mais para ganhar dinheiro a fim de comprar mais bens de consumo e aumentar
nosso bem-estar, mas em seguida nossas expectativas aumentam novamente em um
processo sem fim. Alguém consegue perceber essa cadeia funcionando no consumo
de celulares? O problema é que os estudos mostram que a cadeia hedonista não
contribui para uma vida mais feliz, pelo contrário, pode aumentar seus níveis
de stress e ansiedade.
Comece hoje, busque
entender seus valores, talentos, paixões e sonhos para reduzir suas escolhas e
manter suas expectativas na medida certa para a vida que você deseja viver.
“Se
existe algo a se temer no mundo, é viver de forma a ter motivos para
arrependimentos no final.



































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