segunda-feira, 21 de abril de 2014

E chega o momento em que ser alternativo já lhe parece comum demais e então só lhe resta ser você próprio




Ontem após uma conversa com um amigo que me contava como encontrou a profissão (tatuador) que ama, fiquei pensando em muitas coisas e decidi postar aqui.
Você pode não se lembrar, mas eu tenho isso bem guardado na minha memória de infância: fazer compras no supermercado  quando eu era garoto, era bem mais fácil! Lembro-me da prateleira de biscoito. Naquela época era bem fácil escolher um biscoito; chocolate, morango, maisena ou água e sal.
Essa memória me veio a tona quando fui ao supermercado e fiquei atordoado com tantas opções: dezenas de sabores, light, com fibra, gutem free, sem açúcar, orgânico, tamanho família, farinha especial, com pedaços de frutas. É uma infinidade de marcas, tamanhos, funcionalidades e sabores que nos deixa estáticos um bom tempo na frente da prateleira tentando decifrar e decidir qual levar para casa.
Tudo está assim, inclusive a escolha da sua carreira profissional. Pergunte para seus avós e provavelmente eles vão dizer: “Na minha época você tinha as seguintes opções: advogado, médico, engenheiro, militar ou padre. Ah, e claro, concurso para o Banco do Brasil. Eu decidi ser engenheiro e trabalhei 30 anos (anos, não meses) na mesma empresa.”
Esse cenário mudou. Um desses caras da Google, diz que 60% das profissões existentes nos próximos 10 anos ainda não foram inventadas. Sabe o que vem pela frente? engenheiro de impressora 3D, arquitetos de realidade aumentada, gestores de lixo eletrônico, agricultores urbanos, especialistas em educação social.
Considere também as várias profissões que deixarão de existir. 

Você pode até achar isso exagerado ou duvidoso mas o fato é que assim como você fica parado na frente da prateleira do supermercado para escolher um biscoito, isso também ocorre com a sua carreira profissional. A quantidade de possibilidades e escolhas literalmente nos paralisa! Mas ter escolhas não é bom? É ótimo! É um dos privilégios de viver no século XXI. Imagine que na Idade Média seu destino era definido pelo nascimento. Até a nobreza tinha suas limitações: o primogênito tinha que cuidar do reino e o caçula virava padre.
OK, todas essas possibilidades são maravilhosas mas você continua parado na frente da gôndola em dúvida se pega o Trakinas light ou a edição especial chocolate suíço. Por que? Essa infinidade de escolhas gera consequências importantes na nossa vida cotidiana que poucos tem consciência.

Os efeitos do excesso de escolhas que temos hoje gera conseqüências:, e a insatisfação com a escolha. Acabamos menos satisfeitos com o resultado da escolha do que ficaríamos se tivéssemos menos opções. Imaginamos que poderíamos ter feito uma escolha melhor, por isso lamentamos a decisão tomada e, assim, nos sentimos infelizes.  O fato de ter escolhido o biscoito de morango com pedaços de fruta e ter deixado na prateleira outras 200 possibilidades nos deixa ansiosos e infelizes: “Mas será que a edição limitada de frutas do inverno Alpino não seria mais gostosa?”.
Isso acontece o tempo inteiro e também com nossas carreiras: mudo de emprego ou continuo aqui? Será que começo uma nova faculdade e mudo de carreira? Está na hora de empreender? Devo ir para uma empresa pequena para ter mais autonomia? Faço um mochilão pelo mundo para abrir novas possibilidade ou continuo nesse emprego juntando grana para comprar um apartamento?
1- Limitar nossas opções
Isso pode ser fácil para a compra de um biscoito: “Vou na marca mais barata, afinal é tudo farinha ou no tipo light pois estou de dieta”, mas para definir o rumo de sua vida isso é um pouco mais difícil, mas bem mais divertido também, acredite. Para entendermos quais opções queremos considerar em nossas vidas precisamos nos conhecer, o mais fundo que conseguirmos, um processo sem fim porem muito prazeroso. Enquanto você ficar exposto aos desejos externos e ouvidos tapados para a voz interior, você fará as escolhas que os outros querem que você faça e você vai acabar vivendo a vida que os outros querem que você viva. E esses outros são muitos! Da sua família até o novela da Globo que vai ditar o que você compra ou como se comporta.
Uma vez li a seguinte frase: “a forma de arrependimento mais emocionalmente corrosiva ocorre quando deixamos de agir em relação a algo que é profundamente importante para nós.” Você sabe o que é importante para você? Teste rápido para saber o quanto você se conhece: Você sabe nomear o seu primeiro valor? Se um amigo te ligar porque pensou em você para resolver um grande desafio, que desafio seria esse? Como você se visualiza daqui a vinte anos em termos de conhecimento, reconhecimento e bens materiais? Que atividade te faz sentir que o tempo passou rápido?
Essas perguntas exigem que dediquemos um tempo de qualidade para respondê-las. Saber as respostas te ajudarão a ter mais controle da sua vida, saber os elementos que a tornam gratificante e limitar sua opções.
É natural que ao fazer isso, várias opções surjam. Acredito que o segredo é escolher  e focar em uma delas. Isso não significa que você vai ter que fazer isso pelo resto da vida, sempre é possível mudar e recomeçar. Mas se você tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo, acabará não fazendo nenhuma delas direito.

2- Controlar nossas expectativas
Temos que controlar nossas expectativas. Assim podemos evitar boa parte da angústia e da perda de tempo que surge com o número excessivo de escolhas.
Aqui fica evidente a importância do auto-conhecimento, mas para te convencer disso, quero que você conheça o que os psicólogos chamam de “cadeia hedonista”: à medida que enriquecemos e acumulamos mais posses materiais, nossas expectativas aumentam, por isso trabalhamos ainda mais para ganhar dinheiro a fim de comprar mais bens de consumo e aumentar nosso bem-estar, mas em seguida nossas expectativas aumentam novamente em um processo sem fim. Alguém consegue perceber essa cadeia funcionando no consumo de celulares? O problema é que os estudos mostram que a cadeia hedonista não contribui para uma vida mais feliz, pelo contrário, pode aumentar seus níveis de stress e ansiedade.
Comece hoje, busque entender seus valores, talentos, paixões e sonhos para reduzir suas escolhas e manter suas expectativas na medida certa para a vida que você deseja viver.

 “Se existe algo a se temer no mundo, é viver de forma a ter motivos para arrependimentos no final.


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